Cada um com sua grandeza – Vasco 2 x 0 Bahia

Um dia o vascaíno vai se dar ao luxo de manter o foco no futebol.

Um dia.

Qualquer vascaíno apegado de verdade ao time deve ter vivido um carrossel de emoções durante as últimas 24 horas.

As últimas 24 horas do vascaíno duram anos para acontecer em times de menor grandeza.  É como uma volta ao redor do sol, dada por Urano e por Vênus. Não tem comparação. Um é um gigante, com seus anéis e superfície nebulosa. O outro é apenas um planeta amigável e familiar que possivelmente se deixaria até povoar.

No dia de ontem o vascaíno foi surpreendido com a contratação do bom atacante Maxi López (ex Barça e Grêmio), após rumores de que não haveriam contratações dada a situação de contensão de gastos pela qual passam as finanças cruzmaltinas, devido à antecipação de receitas por parte da diretoria anterior, que praticamente implodiu o Club.

Passados alguns minutos após a quase confirmação de Maxi, surge um novo rumor: Honda, meia japonês que defendeu o Milan e estava no futebol mexicano. Lá vão os vascaínos invadir as redes sociais do jogador a fim de demonstrar sua força, sua presença e sua grandeza.

À noite, fotos de um imenso painel pipocam por todas as redes sociais. Um movimento correto no tabuleiro de xadrez vascaíno. Imensos murais com os ídolos antigos e recentes tiveram a sua primeira fase de implantação terminada, para receber a torcida de volta à sua casa após a pausa para a Copa do mundo. Ótimo? Ponto final? Não. No Vasco isso é motivo de desconfiança, de criação de teorias e produção de listas. Quem deveria estar lá? Este deveria, aquele não. Este fez isto, aquele aquilo. Porque o Pedrinho não está? Porque foi aliado político do rival do atual presidente. Mas Felipe, Galvão e Edmundo também foram e lá estão. Não. Para o vascaíno não existe ponto final. Um mural lindo, uma homenagem justa à todos que ali estão e vão se horas de discussão.  Segundo a diretoria, está é simplesmente a primeira fase e “vem mais por aí”. Cabe ressaltar que ídolos antes renegados ao interior de São Januário estão agora estampados em seus pilares.

Vamos para o jogo? Sim, mas antes uma pausa para acompanhar as notícias jurídicas. Um HD obtido durante o período das eleições e que contém dados relevantes para talvez anulá-la foi liberado para perícia. Este ato pode não só acarretar em novas eleições, como também levar à exclusão do quadro de sócios os ratos envolvidos na corrupção interna. Ratos, vamos voltar a falar disso.

Segue o dia e o momento do jogo se aproxima. Derrota por 3 x 0 na primeira partida, necessidade de devolver a diferença hoje para dar seguimento à Copa do Brasil. Jogo tenso. Bahia praticando o anti-futebol, com a colaboração do árbitro que aplicou poucos cartões para a cera evidente desde os primeiros momentos. Vasco 1 x 0. Fim de primeiro tempo. Muita raça, vontade e desgaste por parte dos atletas cruzmaltinos, alguns acusaram lesões por um jogo tão exigente logo após uma longa parada de inatividade. Vasco 2 x 0. Tranquilidade? Busca pela vitória? Incentivo apenas? Não. Ao vascaíno não basta apenas o futebol. Quem constrói estádio, quem luta contra o racismo não pode se dar ao luxo de um mero esporte apenas. Um rato invade o campo e vira o centro da atenção da transmissão da sportv. Tantos ratos passaram pelo Vasco. Este é só mais um. Tantos outros atuam dentro e fora dos gramados de São Januário e nem sempre seus atos escusos tem a devida atenção da imprensa e justiça. Fim de jogo, o árbitro encerra a partida cerca de 1 minuto e meio antes do tempo sinalizado. Reclamações, confusão. Mas lá da torcida ecoam aquele grito, de quem é gigante e enxergou no resultado de 2 x 0 do futebol  sobre o anti-futebol esperanças dentro e fora de campo para que novas pessoas um dia façam parte de painel vitorioso que circundam o estádio.

Contratação, especulação, craques do passado, painel de homenagens, hd e perícia, um jogo emocionante com dedicação, rato em campo (peludo e de amarelo) e um fim exaustivamente frustrante e reconfortante ao mesmo tempo. Isso são 24 horas em Urano. Aos que habitam planetas menores, se preocupem única exclusivamente com o esporte. Aqui é diferente, AQUI É VASCO.

Fernando Leonardo Vieira

  • Professor
  • Coordenador de TI e apaixonado por futebol
  • Estatísticas e finanças.

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