Qual a cor do seu sangue?

Qual a cor do seu sangue? Na era das pessoas cada vez mais conectadas, ídolos e feitos do passado, que possuem grande documentação e facilidade de acesso acabam por se perderem no mar de informações fúteis, porém atuais. É neste momento que um ídolo eterno, campeão mundial aos 16 anos, fazendo um gol antológico na final, lesionado, é colocado em questão por alguém que NUNCA vestiu a camisa de seu país com 30% do brio, técnica e glória que esbanja pela cancha blaugrana.

 

Sim, o assunto primário aqui é Pelé x Messi.

 

Esta ilusória disputa só existe no imaginário superficial de quem não conhece o Rei e sua carreira. Se Messi, se autoproclamou GOAT(Melhor de toda história) ao posar com um bode na capa de uma famosa revista comprometida com seus leitores atuais e não com a história, Pelé nunca precisou se autoproclamar. Pesquise. Pelé aos 25 anos tinha muito mais do que Messi tem hoje, aos 32. Pelé parou guerra. Pelé conseguiu fazer a torcida expulsar o juiz que o havia expulsado. Pelé fundou o futebol nos EUA. É uma grande perda de tempo debater Pelé. O Rei, o eleito atleta do século, é o responsável máximo pela popularidade do futebol.

 

Messi precisa se consolidar como maior de sua época e isso passa, sim, por ganhar títulos pela Seleção Argentina. Passa também, por conduzir como protagonista seus times (se é que existirá esse plural na vida futebolística de Messi). O protagonismo aguardado, os ingressos pagos, as crianças formadas no futebol pela EA Games, vestindo camisas do ídolo e suas expectativas frustradas Copa após Copa são indicadores de que seu status inabalável nada mais é do que um neologismo futebolístico. Seu rival na época já possui superioridade em protagonismo e títulos pela Seleção Portuguesa

 

Sala de troféus de futebol profissional, conquistados por Messi, pela Seleção Argentina.

 

E é este falso ídolo que resolveu tomar voz esta semana para condenar o título merecido da Seleção Brasileira?

“Não fui à premiação porque nós não temos de ser parte desta corrupção. Nos faltaram com respeito durante toda a Copa. Não nos deixaram chegar à final. Brasil campeão? Creio que não haja dúvida. Lamentavelmente creio que está armada para o Brasil. Tomara que os árbitros e o VAR não interfiram e que o Peru possa competir, porque tem time pra isso. Mas vai ser difícil.”

Bom, Messi, assim como a geração EA Games e a superficialidade da internet, acho que precisamos esclarecer alguns pontos históricos que talvez tenham ficado esquecidos em vídeos que você não viu ou livros que você não leu, por estar preocupado demais com a sua pátria de fato, chamado Barcelona.

  1. A Argentina possui dois títulos mundiais.

  A– Em 1978, em seu primeiro título, foram acusados, pela imprensa inglesa, de doping, por consumirem anfetaminas e substituírem a urina examinada. Armaram a Copa em casa para serem campeões, visto que a organização traçou rotas desumanas para todas as seleções exceto os donos da casa.

A título de comparação, o Brasil viajou 4.659 km, enquanto os donos da casa apenas 618 km. Na fase final, nossa seleção jogou primeiro, apesar dos resultados influenciarem nas classificações. Horas depois, a Argentina jogou sabendo que precisava golear o Peru para avançar e, por consequência, eliminar o Brasil. Resultado: Argentina 6 x 0, com 22 minutos do segundo tempo. O goleiro peruano, que era um argentino naturalizado, e outros jogadores admitiram, mais tarde, que a comissão técnica e mais 6 atletas foram corruptos durante a partida. E os gramados que tanto te atrapalharam, Messi, foram mais uma das reclamações naquela Copa. A ditadura Argentina, que visitou o time do Peru no vestiário, alcançava a ali a sua fatia do pão e circo. Todo este cenário se tornou um ato de injustiça não só com a seleção brasileira, mas, principalmente com a Holanda, que anos antes reinventara o futebol, com Cruyff e fora o coadjuvante dos argentinos na final. Holanda x Brasil talvez seria a final de melhor futebol já vista.

 

Quiroga: Peruano-Argentino protagonista do título de 78.

 

    B- 1986, a Copa do inquestionável Maradona, que jogou sob efeito de drogas por boa parte de sua carreira, como admitido pelo presidente do Napoli, Corrado Ferlaino que utilizava do mesmo subterfugio de seus compatriotas em 1978 para “limpar” o craque do doping. Isso não o impediu de realizar atuações antológicas e atingir o patamar de engraxate do Pelé. Seu maior feito foi marcar um gol político contra a Inglaterra (vingando as Maldivas com futebol) utilizando “a mão de Deus”. O gol não retomou o território, mas levou a seleção à semi-final de mais uma Copa conquistada de forma desonesta pelos “hermanos”.

 

Maradona marca, com a “mão de Deus” nas quartas de final da Copa de 86. (Bongarts/VEJA/VEJA)

 

 

2. Na Copa de 1990, no duelo das oitavas de final contra o Brasil, os argentinos alcançaram o ápice da trapaça. Não bastasse o amplo histórico de auto-doping, tiveram, neste jogo, a magnífica e honesta ideia de dopar o time adversário. Ao ocorrerem paralisações na partida, ofereciam aos brasileiros, água com drogas, que os deixavam tontos e com a visão turva, como afirmou o lateral Branco, um dos afetados pela tática dos baluartes da honestidade.

 

 

Argentinos oferecem água batizada aos brasileiros em 1990.

 

O mais impressionante e dissimulado disso tudo não são os atos. Os argentinos sempre se enchem de orgulho ao falarem de cada um destes corruptos episódios.

Portando, este país, que se considera a Europa sulamericana, possui dois títulos mundiais. Nenhum por intermédio de Messi. Todos por intermédio da desonestidade. Além do histórico de violência dentro das quatro linhas, esse é o legado deixado pelos argentinos de destaque no futebol.

Façam um exercício de observação. Busquem jogos em que Messi foi protagonista de viradas. Fez gols decisivos em situação adversa. Principalmente contra adversários fora do convívio espanhol. Procurem jogos em que Messi teve culhão. Deixem nos comentários e vamos enriquecer o debate. Alguns jogos chave me chamam atenção logo: PSG x Barcelona (Neymar protagonista), Roma x Barcelona (Barcelona eliminado por um time muito inferior, após vencer o primeiro jogo por 4×1) e Liverpool x Barcelona (Barcelona eliminado após vencer o primeiro jogo por 3×0).

Pedir para Messi conhecer a história da sua seleção é pedir demais. Além desta história não combinar com a sua pacata existência, também não combina com sua nacionalidade intelectual. Imagine Messi jogando naquela Espanha campeã do mundo. Seria perfeito, concorda? O futebol de Messi também. A Argentina não é para pacatos. É para desonestos.

E você, brasileiro, o que te peço, antes de escolher a quem defender, qual camisa vestir é apenas que conheça a tua história e teu sangue.

Este texto é de cunho esportivo. Se você ama futebol e possui um time rival, este texto é para destacar que o seu rival nacional é a Argentina. Motivos não faltam..

Fernando Leonardo Vieira

  • Professor
  • Coordenador de TI e apaixonado por futebol
  • Estatísticas e finanças.

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